Bagé solta o verbo sobre o longboard brasileiro
Em entrevista ao jornalista Gerson Filho, o carioca Eduardo Bagé fala como foi 2008, os resultados, a situação do longboard brasileiro, suas expectativas para 2009 e muito mais. Vale o drop!
1- Conte como foi sua trajetória até a vitória na 2a etapa do PLC, seu último bom resultado em 2008:
Eu viajei um pouco no limite de tempo porque a Air France fez greve até três dias antes de começar o PLC. Cheguei no Rio, treinei, mas eu estava cansadão. No dia seguinte, já cheguei competindo. Caí numa chave com o pessoal que vem da 1a fase e na seqüência peguei os brabos! Tive uma bateria difícil com o Saldanha e o Roger. Depois peguei uma outra bateria onde já surfei melhor. Na seqüência fiz um HxH contra Phil. Fiz uma semifinal com o Jaime Viúdes, que em minha opinião é um dos atletas mais constante e esforçado. Por um momento achei que ele fosse ganhar, mas eu estava bem concentrado e guardei esse espírito para não aliviar. Fiz a final com o Mica, que já era campeão brasileiro. Mas a cada bateria que eu passava, sentia uma vibração muito boa da galera presente. Ainda tive o apoio total dos meus amigos pela internet e, claro, o apoio da minha família não só durante a etapa mas durante o ano todo.
2- Esse ano você conseguiu terminar como top 5 do longboard mundial. Isso fez alguma diferença no seu balanço final?
Esse ano os resultados foram bons. Fiz muitas revistas com minha viagem pra China no final de 2007. Fiz mais de 20 revistas de surf mundo. Na França foram nas duas revistas de surf mais importantes e revistas femininas. Aqui no Brasil fiz Alma Surf numa matéria irada. Também saí em publicações na Espanha, em Portugal, na Alemanha, na Itália, no Japão, na China, nos EUA. Na TV Francesa fiz dois programas que são os mais vistos na França e inclusive pude ver uma das reportagens aqui no Brasil. O legal é que a TV 5 ,canal francês, é difundido em vários países no mundo todo. Meus patrocinadores gostaram muito dos meus resultados e da minha notoriedade que também aumentou muito.
3- Hoje o longboard mundial está numa fase na qual não sabemos se vai se consolidar, se vai estagnar ou se vai regredir. Como você se posiciona em relação a isso, pretende começar a trabalhar em paralelo, ou seguir como profissional até depois dos 40 anos, a exemplo do Picuruta?
Picuruta é um talento raro, se nascesse na Europa, nos Estados Unidos ou Austrália, Tom Curren, e Kelly não teriam a vida fácil, sem querer desmerecer meu grande ídolo Tom Curren, nem o Kelly, mas igual o Gato ainda está pra nascer. Eu não acredito que eu consiga fazer como o Picuruta, mas ainda penso em competir por um bom tempo já estou buscando outras atividades paralelas, para que eu possa fazer a transição de maneira sutil.
4- Você tem um patrocínio Francês e se divide entre a França e o Brasil. Como é essa relação a Oxbow gosta dessa sua versatilidade?
O inverno na França é muito rigoroso e você acaba não treinando como deveria. Os próprios franceses viajam para lugares quentes. Eu aproveito pra visitar a família e para competir as primeiras e as últimas competições aqui do Brasil, como não posso competir o ano todo aqui procuro aproveitar bem meu tempo no meu país. A Oxbow gosta, até porque eles pensam em se instalar novamente no Brasil. Eles acham fundamental meu trabalho e me reconhecem como um dos melhores longboarders do mundo.
5- Atualmente o Longboard Brasileiro conta com o patrocínio da Petrobras, que é uma empresa sólida e que já acredita no potencial do esporte, há bastante tempo. Vocês - atletas - têm um nível de organização, ou pensam em tê-lo, para conseguir abrir novas frentes nesse sentido?
Nós temos o conselho, e já é super difícil de agradar a todos, acho que ainda vão se passar alguns anos até alguns atletas tomarem frente de algumas ações em prol do Long. Em relação à Petrobras, ela é a única a patrocinar o esporte, a cultura, os projetos sociais entre outras coisas. Além de ser uma empresa 100% nacional. Os outros é que me desculpem, mas é a pura verdade.
6- Seu estilo é considerado seu ponto forte. Mas as manobras radicais estão cada vez com mais peso no julgamento. Você tem feito algum trabalho específico para melhorar o quesito `radicalidade`?
Não sou um surfista clássico e nem radical, mas se eu quiser surfar só radical, sei fazer igual os caras mais radicais. Faço somente o que eu acho que é a imagem do longboard e que todos deveriam fazer: ser o mais radical possível e o mais clássico possível. Surfistas completos temos muitos. O Picuruta hoje é um dos longboarders mais completos do mundo fazendo bicos com os pés saindo da prancha! Temos o Bahia, Danilo, Jaime, Roger, entre outros, cada um com seu estilo, mas todos bem completos.
7 - Você acha que o estilo é realmente valorizado pelos juízes ou um cara pode vir `quebrando` e batendo os braços pra tudo quanto é lado e ganhar um notão?
Eu acho que o cara pode vir batendo os braços e o que for, mas se ele fizer a manobra, vai ganhar as notas. A diferença vai ser se o outro fizer a mesma coisa com estilo. Aí a nota vai vir com muito mais facilidade...simples assim.
8- O Phil foi campeão mundial. Depois que isso aconteceu, você acha que os gringos olham de outro jeito para os brasileiros, tipo: não pode dar mole se não eles levam? E pra você, como brasileiro radicado na França, mudou alguma coisa?
Não mudou nada. O Phil já era um cara respeitado pelos gringos, pois sempre fez bem feito nas viagens dele. Mas os gringos sempre olham pros brazucas com um ar de superior. Porém nós damos dura sempre, às vezes ganhamos e às vezes perdemos. O olhar de desdém que nos incomoda não é o dos gringos, porque eles se derem mole voltam de `combi` pra casa! O que nos incomoda são as empresas de surf do Brasil. Nos éramos 15 entre os top 44; 7 entre os top 15, e hoje somos 4 nos top 15 e somente 11 nos top 44. E a cada ano que passa atletas deixam de viajar porque não tem apoio das empresas do surf aqui no Brasil. Eu diria mesmo pra galera boicotar esses caras, fazer doer neles onde se deve doer, no bolso. Cadê os atletas das grandes marcas nacionais? Não estou falando de apoio, não. Falo é de pagar as viagens e gastos dos atletas e um salário com o qual pelo menos o cara possa surfar sem se preocupar com dinheiro. Vai me dizer que uma marca não poderia pagar 5 mil reais pro Marcelo Freitas, `só` 3 vezes campeão do mundo Pela ISA, e Vice Campeão mundial pela ASP. E o Phil Campeão Mundial pela ASP e quatro pela ISA, entre outros. Vejo pequenas marcas apoiando atletas, mas as grandes sempre na velha história de apoio: colé galera, vocês também vivem do surf, e nós merecemos respeito! E eu continuo brasileiro, corro pelo Brasil e estou junto com a galera, também me desdobro pra viver do esporte.
9- E os planos para 2009. Pra você é bem difícil correr todas as etapas do brasileiro. Vai tentar o campeonato nacional?
Não posso afirmar nada, estou no memento muito bom da carreira, tenho vontade de fazer todas as etapas aqui, mas ainda dependo de um calendário mais organizado... para que eu possa me programar bem antes...Nunca competi lá no evento do Pernambuco e nem no EcoVias, e são 2 eventos que acompanho pela internet com maior dor no coração, pois queria estar com meus irmãos do surf e ainda não tive essa chance.
Por Gerson Filho - Ricosurf.com
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